Daniel Barbosa


DESENVOLVENDO ENFERMIDADES...



Quando a médica chegou ao quarto do seu paciente de 8 anos, que era portador
de um câncer terminal, viu um outro menino, sentado à janela.
Como os pais falassem somente a respeito do doente, ela deduziu que aquele
garotinho devia ser um vizinho, um coleguinha do enfermo, em visita.
Depois de algum tempo, descobriu que ele era o irmão menor. Tinha 7 anos e
parecia estar alheio a tudo.
Para alguém preparada para lidar com a morte, pois sua especialidade é
tratar de doentes terminais, a dra. Elisabeth diagnosticou que o maior
enfermo era aquele.
Assim, ao concluir a consulta, pediu a ele se o poderia levar até seu carro.
"Eu?" - falou, reagindo à sua presença, pela primeira vez.
"Sim, você!" E dirigiu aos pais um olhar, como a lhes dizer: "deixem-me
sozinha com ele!"
Ela o convidou a entrar em seu carro e ele logo expressou: "acho que você
sabe que tenho asma."
E continuou tristemente: "mas isso não adianta muito."
"Como assim, não adianta muito?"
Era grande o drama daquele menino de 7 anos. Carregava o peso de não se
sentir amado.
Os pais, contou, davam tudo ao irmão, porque tinha câncer e talvez não
vivesse muito mais.
Compraram-lhe trens elétricos, levaram-no à Disneylândia. Nada era pouco
para quem poderia morrer a qualquer momento.
"Para mim", disse choroso, "quando pedi a meu pai uma bola de futebol, ele
disse não. E quando lhe perguntei por que não, ele ficou muito zangado e
disse: você preferiria ter um câncer?"
Imaginemos a tragédia íntima desse menino de apenas 7 anos. A mensagem que
recebeu foi a de que não era suficientemente doente para ter um desejo
atendido.
Na sua cabecinha, a idéia era: se meu irmão consegue brinquedos melhores à
medida que fica mais doente, talvez eu não esteja doente o bastante. Preciso
ficar mais doente.
A história, que é verídica, nos leva a pensar em como, em nossa dor, por
vezes, nos tornamos injustos.
Esquecemos que todos os filhos devem se sentir amados. Mesmo que um deles
nos exija maiores cuidados, por questões próprias, não podemos e nem devemos
esquecer os demais.
Uma criança, assim relegada, pode desenvolver o que se chama de doença
psicossomática.
Quanto mais adoece, maior o presente que ele acha que vai receber.
Quando se tornar adulto, pode se tornar um grande manipulador. Sempre que
quiser alguma coisa, terá um ataque cardíaco dramático. Ou um ataque de
asma.
Ou, pode até vir a desejar que o irmão logo se vá, porque então as atenções
retornarão para ele, o filho que sobrou.
Naturalmente, isso desenvolverá nele um sentimento de culpa, que o poderá
martirizar pelo resto da vida.
Um garotinho assim precisa de alguém que o ajude a expressar a sua tristeza,
para que sua tristeza não o adoeça ainda mais.
Precisa de quem saia com ele e lhe mostre que não há necessidade de ficar
doente para ter atenção.
Todas as crianças precisam de amor e se o recebem, não terão que desenvolver
doença alguma para competir com quem quer que seja. Até mesmo com um irmão
enfermo.
Pense nisso
As crianças entendem tudo literalmente. Na qualidade de pais ou educadores,
necessitamos aprender a controlar o que dizemos e como nos expressamos.
Em nossas vidas, podemos realizar um grande trabalho de medicina e de
psiquiatria preventiva, se fizermos as crianças entenderem que não precisam
ficar doentes para serem amadas.
Desde cedo, devem receber a mensagem de que o amor é incondicional.
Pensemos nisso!

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. O casulo e a
borboleta, do livro O túnel e a luz, de autoria da Dra. Elisabeth
Kübler-Ross, ed. Verus.


Escrito por Daniel às 10h02
[ ] [ envie esta mensagem ]


SUPERANDO A DOR




No dia 28 de julho de 1976, a cidade industrial de Tangshan foi
completamente arrasada por um terremoto apavorante. 300 mil mortos.
O fato ficou famoso como símbolo do colapso total das comunicações da china
naquela época.
A preocupação das autoridades era com a crise pela morte de Mao Tsétung e
duas outras importantes personalidades.
A notícia do terremoto acabou chegando ao governo através da imprensa
estrangeira.
Muitas mulheres ficaram sem marido e viram seus filhos desaparecer em
abismos profundos.
Chen foi uma delas. Naquela manhã de julho, antes de clarear, ela foi
despertada por um som estranho.
Era uma espécie de ronco surdo e um assobio, como se um trem estivesse se
espatifando contra as paredes da casa.
Quando ia gritar, metade do quarto cedeu e a cama onde estava deitado o
marido, foi tragada por um buraco enorme.
O quarto das crianças, que ficava do outro lado da casa, como um cenário de
um palco apareceu à sua frente.
O filho mais velho estava de olhos arregalados e boca aberta. A menina
chorava e gritava, estendendo os braços para a mãe.
O filhinho pequeno continuava dormindo calmamente.
A cena à sua frente sumiu de repente como se uma cortina tivesse caído.
Chen acreditou que estava tendo um pesadelo e se beliscou. Não acordou.
Então, espetou a perna com uma tesoura.
Sentindo a dor e vendo o sangue, entendeu que não era um sonho.
Gritou como louca. Ninguém ouviu. De todos os lados vinha sons de paredes
desmoronando e de móveis quebrando.
Ela ficou ali, com a perna ensangüentada, olhando para o buraco enorme que
tinha sido a outra metade da sua casa.
Seu marido e suas lindas crianças tinham desaparecido diante dos seus olhos.
Sentiu vontade de chorar, mas não tinha lágrimas. Simplesmente não queria
continuar vivendo.
Vinte anos depois, contando esta história a uma jornalista, Chen confessa
que quase todo dia, ao amanhecer, ouve um trem roncando e apitando, junto
com os gritos dos seus filhos.
Os pesadelos a machucam, mas ela diz que os suporta porque neles estão
também as vozes dos seus filhos.
E quem pensa que Chen vive somente a lamentar e a chorar a perda dos seus
amores, engana-se.
Ela, junto a outras mães que perderam seus filhos no terremoto de 1976,
fundaram um orfanato, com o dinheiro da indenização que receberam.
É um orfanato sem funcionários. Alguns o chamam de uma família sem homens.
Vivem ali algumas mães e dezenas de crianças. Cada mãe ocupa um aposento
grande com 5 ou 6 crianças.
Os aposentos do orfanato foram decorados com uma infinidade de cores, de
acordo com o gosto das crianças. Cada quarto com seu estilo de decoração.
Bem diferente dos orfanatos tradicionais da china.
Ao ser questionada como se sente hoje, naquele voluntariado, confessa Chen:
"muito melhor. Especialmente à noite. Fico olhando enquanto as crianças
dormem. Sento ao lado delas, seguro suas mãos contra o meu rosto. Beijo-as e
agradeço a elas por me manterem viva. É um ciclo de amor. Dos velhos para os
jovens e de volta para os velhos."
***
Por vezes, quando a dor nos visita, nos enclausuramos nela, acreditando que
a nossa é a dor maior do mundo.
O exemplo de Chen nos dá a dimensão da dor e nos ensina como lidar com ela:
atender o próximo que também sofre.
Afinal, sempre que olharmos para trás encontraremos criaturas mais
intensamente feridas do que nós mesmos. E no atendimento às suas feridas,
encontraremos o alívio que buscamos.
Tudo porque o toque delicado do amor é o curativo perfeito para as próprias
chagas abertas no coração.

Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. As mães que sofreram
um terremoto, do livro As boas mulheres na China, de autoria de Xinran, ed.
Companhia das letras.



Escrito por Daniel às 09h55
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil





BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, JARDIM BOTANICO, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Cinema e vídeo, Arte e cultura, Religião
MSN - danielmbarbosa@hotma



Meu humor





Histórico
24/02/2008 a 01/03/2008
24/12/2006 a 30/12/2006
15/10/2006 a 21/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
16/07/2006 a 22/07/2006
11/06/2006 a 17/06/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
21/05/2006 a 27/05/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
26/03/2006 a 01/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006
29/01/2006 a 04/02/2006
22/01/2006 a 28/01/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005
18/12/2005 a 24/12/2005
27/11/2005 a 03/12/2005
20/11/2005 a 26/11/2005
13/11/2005 a 19/11/2005
06/11/2005 a 12/11/2005
30/10/2005 a 05/11/2005
23/10/2005 a 29/10/2005
16/10/2005 a 22/10/2005
09/10/2005 a 15/10/2005
02/10/2005 a 08/10/2005
25/09/2005 a 01/10/2005
18/09/2005 a 24/09/2005
04/09/2005 a 10/09/2005
21/08/2005 a 27/08/2005
14/08/2005 a 20/08/2005
07/08/2005 a 13/08/2005
31/07/2005 a 06/08/2005
24/07/2005 a 30/07/2005
17/07/2005 a 23/07/2005
10/07/2005 a 16/07/2005
03/07/2005 a 09/07/2005
26/06/2005 a 02/07/2005
19/06/2005 a 25/06/2005
12/06/2005 a 18/06/2005
05/06/2005 a 11/06/2005
29/05/2005 a 04/06/2005
22/05/2005 a 28/05/2005
15/05/2005 a 21/05/2005
08/05/2005 a 14/05/2005
01/05/2005 a 07/05/2005
24/04/2005 a 30/04/2005
17/04/2005 a 23/04/2005
10/04/2005 a 16/04/2005
03/04/2005 a 09/04/2005
27/03/2005 a 02/04/2005
20/03/2005 a 26/03/2005
13/03/2005 a 19/03/2005
06/03/2005 a 12/03/2005
27/02/2005 a 05/03/2005
20/02/2005 a 26/02/2005
13/02/2005 a 19/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
09/01/2005 a 15/01/2005
02/01/2005 a 08/01/2005
26/12/2004 a 01/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
12/12/2004 a 18/12/2004
05/12/2004 a 11/12/2004
28/11/2004 a 04/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
31/10/2004 a 06/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
10/10/2004 a 16/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004
25/07/2004 a 31/07/2004
18/07/2004 a 24/07/2004
11/07/2004 a 17/07/2004
04/07/2004 a 10/07/2004
27/06/2004 a 03/07/2004
20/06/2004 a 26/06/2004
13/06/2004 a 19/06/2004
06/06/2004 a 12/06/2004
30/05/2004 a 05/06/2004




Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 Meu FOTOBLOG
 A viajante
 Garimpos de Amor
 Momento de Reflexão
 Kall
 Espiritismo
 keckinha
 Diario de uma Casada
 Espiritualidade
 Grupo de Música espirita
 Estava Escrito
 Luar Vermelho - Karla
 UOL - O melhor conteúdo





O que é isto?