INSTINTO MATERNO
Era noite e o casal resolveu sair para fazer umas compras no shopping. Embora a esposa tivesse insistido com o marido para irem de carro, temendo a violência das ruas, ele a convenceu que deveriam ir a pé. A rua estava bastante deserta e logo o casal avistou uma jovem, andando sozinha, mais à frente. Dois rapazes, visivelmente mal-intencionados, que surgiram não se sabe de onde, passaram a seguir a jovem para, talvez, a assaltar na primeira oportunidade que surgisse. Percebendo a situação, a esposa chamou a atenção do marido para o risco que a garota estava correndo. Sem titubear, segurou o braço do esposo e apressaram o passo. Antecipando-se aos suspeitos, num gesto instintivo, aquela mãe colocou a mão sobre o ombro da moça e a conduziu como se fossem velhas conhecidas. A garota estava amedrontada, pois já havia notado que estava sendo seguida, mas não sabia o que fazer, e por isso aceitou aquela ajuda providencial. Vinda de uma cidade do interior do estado, para fazer vestibular na capital, a menina não conhecia os perigos de se andar à noite, principalmente numa rua quase deserta. Estava indo ao supermercado comprar alimentos para preparar seu jantar, sem desconfiar dos perigos que a rondavam. "Ao ver a moça, lembrei-me de uma de nossas filhas e corri para socorrê-la", disse-nos aquela jovem mãe. O instinto materno falou alto e ela evitou que uma jovem, que sequer conhecia, fosse assaltada, agredida, violentada, morta. E a mãe da garota, que talvez estivesse em casa, na cidade distante, rogando a Deus que protegesse sua filha na capital, teve atendida a sua oração. São tantas desgraças que acontecem, com a onda de violência que assola a sociedade, que certamente os pais ficam preocupados com os filhos distantes. Muitos saem de casa para uma festa, para o trabalho ou para outra atividade qualquer, e não retornam jamais aos braços da família... É por essa razão que gestos como o dessa mãe, que teve a coragem de se antecipar aos malfeitores e salvar a garota de uma desgraça, são considerados heróicos. Num tempo em que cada um cuida de si mesmo e trata de defender a própria pele, sem se importar com os demais, Deus tem dificuldade para atender as orações das mães que rogam proteção para seus filhos amados. Talvez algumas pessoas pensem que hoje em dia não convém se expor ao perigo, pois se corre riscos também. Sem qualquer apologia à temeridade, os pequenos gestos de coragem podem mudar o rumo de uma vida. Quando o instinto maternal ou o instinto de fraternidade fala mais alto, podemos conseguir grandes resultados, sem exposição irrefletida ao perigo. Basta que andemos atentos, como filhos da luz e não como filhos da indiferença. Basta que façamos o que gostaríamos que fizessem conosco ou com um ser amado nosso. Muitas vezes Deus nos coloca no caminho de alguém para ajudar, já que é através dos homens que Deus auxilia e socorre o homem. Importante pensar nisso com carinho, como fez aquela mãe ao ver a jovem correndo perigo: "podia ser minha filha". Depois de pensar, agir, movimentar os passos na direção certa, que é sempre a direção do bem. Pense nisso! Você perceberá que em muitas situações do dia-a-dia uma atitude sua pode fazer a diferença. Muita diferença mesmo...
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em fato ocorrido com um casal de amigos.
Escrito por Daniel às 10h00
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UM ALUNO DIFERENTE
A professora levou seus alunos até os jardins do colégio para lhes falar sobre a natureza mostrando-lhes a natureza viva. Aproximou-se de um flamboyant, coalhado de flores, e perguntou aos alunos que árvore era aquela. Alguns, disseram que era uma árvore, apenas. Outros, que aquela árvore era um flamboyant, pois em sua casa havia um semelhante. Uma menina falou que os flamboyants só servem para fazer sujeira na calçada, quando derrubam as flores, pois isso é o que sua mãe diz sempre. Um garoto disse que seu pai havia cortado um, recentemente, pois suas raízes racharam o muro de seu quintal. Mas Pedro, menino de alma sensível, começou dizendo que via ali muito mais que uma árvore. Disse que via as flores, muito belas por sinal, mas que também podia sentir seu suave perfume. Chamou atenção para as abelhas que pousavam de flor em flor, e também dos pássaros que buscavam refúgio em seus galhos aconchegantes. Lembrou que todos estavam sob a sombra generosa que as folhas propiciavam, e apontou para alguns insetos que passeavam, ligeiros, pelo tronco gentil. Falou, ainda, das muitas vidas que encontram guarida naquele flamboyant desprendido, como liquens, musgos, pequenas bromélias e outras tantas formas de vida que se podia perceber. "Eis o que percebo, professora", falou Pedro, com a espontaneidade de um pequeno-grande poeta. A educadora, ainda embevecida com a aula que acabara de receber, falou amavelmente: "você tem razão, Pedro. Definir este pequeno universo simplesmente como uma árvore, é matar toda a sua grandeza e majestade." Existem pessoas que não percebem os flamboyants floridos em praças, bosques e ruas. Elas são muito ocupadas para perder tempo com coisas sem importância. Tem pessoas que definem flores e folhas apenas como sujeira indesejável. Outras preferem cortar árvores de dezenas de anos, para que não rachem seus muros e calçadas de cimento. Existem também aquelas para as quais os flamboyants representam alguns cifrões. Cortados, poderiam oferecer madeira para lenha ou se transformar em belos móveis. E há aquelas pessoas, como o pequeno Pedro, que vêem muito mais que uma simples árvore. Vêem o autógrafo do Criador, na majestosa obra da natureza. E você, a que grupo de pessoas pertence? *** Reverenciar a vida é respeitá-la na sua mais ampla forma de expressão. Albert Schweitzer, o notável e mundialmente famoso missionário, médico, musicista e filósofo da Alsácia, conta, em seu livro autobiográfico intitulado minha infância e mocidade: "Achava inconcebível antes mesmo de freqüentar a escola que, na oração da noite, só me mandassem rezar pelos homens. Por isso, depois de mamãe orar comigo e dar-me o beijo de boa noite, eu acrescentava, por conta própria, uma pequena oração suplementar, de minha autoria, em nome de todos os seres humanos, dizendo: Bom Deus, protegei e abençoai tudo o que respira, preservai-nos do mal e fazei-nos dormir tranqüilamente!" Um garoto de apenas sete anos de idade, com uma consciência lúcida sobre o que é reverenciar a vida. Apenas um menino, mas certo de que amar a Deus sobre todas as coisas quer dizer, em primeiro lugar, respeitar sua obra, e todas as coisas por ele criadas.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro "Minha infância e mocidade", de Albert Schweitzer, Edições Melhoramentos, São Paulo.
Escrito por Daniel às 11h58
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