Daniel Barbosa


INSTINTO MATERNO



Era noite e o casal resolveu sair para fazer umas compras no shopping.
Embora a esposa tivesse insistido com o marido para irem de carro, temendo a
violência das ruas, ele a convenceu que deveriam ir a pé.
A rua estava bastante deserta e logo o casal avistou uma jovem, andando
sozinha, mais à frente.
Dois rapazes, visivelmente mal-intencionados, que surgiram não se sabe de
onde, passaram a seguir a jovem para, talvez, a assaltar na primeira
oportunidade que surgisse.
Percebendo a situação, a esposa chamou a atenção do marido para o risco que
a garota estava correndo.
Sem titubear, segurou o braço do esposo e apressaram o passo.
Antecipando-se aos suspeitos, num gesto instintivo, aquela mãe colocou a mão
sobre o ombro da moça e a conduziu como se fossem velhas conhecidas.
A garota estava amedrontada, pois já havia notado que estava sendo seguida,
mas não sabia o que fazer, e por isso aceitou aquela ajuda providencial.
Vinda de uma cidade do interior do estado, para fazer vestibular na capital,
a menina não conhecia os perigos de se andar à noite, principalmente numa
rua quase deserta.
Estava indo ao supermercado comprar alimentos para preparar seu jantar, sem
desconfiar dos perigos que a rondavam.
"Ao ver a moça, lembrei-me de uma de nossas filhas e corri para socorrê-la",
disse-nos aquela jovem mãe.
O instinto materno falou alto e ela evitou que uma jovem, que sequer
conhecia, fosse assaltada, agredida, violentada, morta.
E a mãe da garota, que talvez estivesse em casa, na cidade distante, rogando
a Deus que protegesse sua filha na capital, teve atendida a sua oração.
São tantas desgraças que acontecem, com a onda de violência que assola a
sociedade, que certamente os pais ficam preocupados com os filhos distantes.
Muitos saem de casa para uma festa, para o trabalho ou para outra atividade
qualquer, e não retornam jamais aos braços da família...
É por essa razão que gestos como o dessa mãe, que teve a coragem de se
antecipar aos malfeitores e salvar a garota de uma desgraça, são
considerados heróicos.
Num tempo em que cada um cuida de si mesmo e trata de defender a própria
pele, sem se importar com os demais, Deus tem dificuldade para atender as
orações das mães que rogam proteção para seus filhos amados.
Talvez algumas pessoas pensem que hoje em dia não convém se expor ao perigo,
pois se corre riscos também.
Sem qualquer apologia à temeridade, os pequenos gestos de coragem podem
mudar o rumo de uma vida.
Quando o instinto maternal ou o instinto de fraternidade fala mais alto,
podemos conseguir grandes resultados, sem exposição irrefletida ao perigo.
Basta que andemos atentos, como filhos da luz e não como filhos da
indiferença.
Basta que façamos o que gostaríamos que fizessem conosco ou com um ser amado
nosso.
Muitas vezes Deus nos coloca no caminho de alguém para ajudar, já que é
através dos homens que Deus auxilia e socorre o homem.
Importante pensar nisso com carinho, como fez aquela mãe ao ver a jovem
correndo perigo: "podia ser minha filha".
Depois de pensar, agir, movimentar os passos na direção certa, que é sempre
a direção do bem.
Pense nisso! Você perceberá que em muitas situações do dia-a-dia uma atitude
sua pode fazer a diferença.
Muita diferença mesmo...

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em fato ocorrido
com um casal de amigos.


Escrito por Daniel às 10h00
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UM ALUNO DIFERENTE



            A professora levou seus alunos até os jardins do colégio para
lhes falar sobre a natureza mostrando-lhes a natureza viva.
            Aproximou-se de um flamboyant, coalhado de flores, e perguntou
aos alunos que árvore era aquela.
            Alguns, disseram que era uma árvore, apenas. Outros, que aquela
árvore era um flamboyant, pois em sua casa havia um semelhante.
            Uma menina falou que os flamboyants só servem para fazer sujeira
na calçada, quando derrubam as flores, pois isso é o que sua mãe diz sempre.
            Um garoto disse que seu pai havia cortado um, recentemente, pois
suas raízes racharam o muro de seu quintal.
            Mas Pedro, menino de alma sensível, começou dizendo que via ali
muito mais que uma árvore.
            Disse que via as flores, muito belas por sinal, mas que também
podia sentir seu suave perfume.
            Chamou atenção para as abelhas que pousavam de flor em flor, e
também dos pássaros que buscavam refúgio em seus galhos aconchegantes.
            Lembrou que todos estavam sob a sombra generosa que as folhas
propiciavam, e apontou para alguns insetos que passeavam, ligeiros, pelo
tronco gentil.
            Falou, ainda, das muitas vidas que encontram guarida naquele
flamboyant desprendido, como liquens, musgos, pequenas bromélias e outras
tantas formas de vida que se podia perceber.
            "Eis o que percebo, professora", falou Pedro, com a
espontaneidade de um pequeno-grande poeta.
            A educadora, ainda embevecida com a aula que acabara de receber,
falou amavelmente: "você tem razão, Pedro. Definir este pequeno universo
simplesmente como uma árvore, é matar toda a sua grandeza e majestade."
            Existem pessoas que não percebem os flamboyants floridos em
praças, bosques e ruas. Elas são muito ocupadas para perder tempo com coisas
sem importância.
            Tem pessoas que definem flores e folhas apenas como sujeira
indesejável.
            Outras preferem cortar árvores de dezenas de anos, para que não
rachem seus muros e calçadas de cimento.
            Existem também aquelas para as quais os flamboyants representam
alguns cifrões. Cortados, poderiam oferecer madeira para lenha ou se
transformar em belos móveis.
            E há aquelas pessoas, como o pequeno Pedro, que vêem muito mais
que uma simples árvore. Vêem o autógrafo do Criador, na majestosa obra da
natureza.
            E você, a que grupo de pessoas pertence?
***
            Reverenciar a vida é respeitá-la na sua mais ampla forma de
expressão.
            Albert Schweitzer, o notável e mundialmente famoso missionário,
médico, musicista e filósofo da Alsácia, conta, em seu livro autobiográfico
intitulado minha infância e mocidade:
            "Achava inconcebível  antes mesmo de freqüentar a escola  que,
na oração da noite, só me mandassem rezar pelos homens.
            Por isso, depois de mamãe orar comigo e dar-me o beijo de boa
noite, eu acrescentava, por conta própria, uma pequena oração suplementar,
de minha autoria, em nome de todos os seres humanos, dizendo:
            Bom Deus, protegei e abençoai tudo o que respira, preservai-nos
do mal e fazei-nos dormir tranqüilamente!"
            Um garoto de apenas sete anos de idade, com uma consciência
lúcida sobre o que é reverenciar a vida.
            Apenas um menino, mas certo de que amar a Deus sobre todas as
coisas quer dizer, em primeiro lugar, respeitar sua obra, e todas as coisas
por ele criadas.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro "Minha infância e
mocidade", de Albert Schweitzer, Edições Melhoramentos, São Paulo.


Escrito por Daniel às 11h58
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