Daniel Barbosa


A BÊNÇÃO DO PERDÃO



Uma nuvem espessa pairava sobre a alma daquela mãe sofrida...
O seu jovem filho, criado com amor e desvelo, fora assassinado
por um amigo dominado pelas drogas.
O desespero e a amargura eram suas companhias permanentes.
Os olhos fundos e a palidez denunciavam as noites de insônia e a
falta de alimentação.
Uma amiga a convidou, talvez inspirada pela providência divina,
a buscar ajuda do orador e médium espírita de extrema seriedade e profunda
dedicação ao bem, Divaldo Pereira Franco.
Era início da noite na cidade de salvador, quando as duas
senhoras adentraram a casa espírita singela, onde o médium atende aqueles
que o procuram em busca de consolo e esperança.
Divaldo percebeu que se tratava de um caso grave e atendeu
aquela mãe prontamente, com grande ternura.
Aos poucos a senhora ia contando o drama ocorrido, falando que
um amigo do filho o havia alvejado por motivos banais, de ligeiro
desentendimento entre ambos.
Enquanto a genitora narrava o seu drama, aproxima-se do médium a
benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, trazendo o jovem assassinado, ainda
convalescente, e diz a Divaldo para transmitir à mãe sofrida, algumas
palavras do filho.
Naquele momento o filho, tomando emprestada a aparelhagem
fonadora do médium, fala à mãezinha palavras de conforto.
Disse para que não cometesse o suicídio, como estava
pretendendo, pois esse crime a afastaria ainda mais dele, e por mais tempo.
Pediu à mãe que se lembrasse da mãe do amigo que cometera o
crime e agora estava detido pelas grades da justiça humana, numa cadeia,
entre criminosos comuns.
Aquela mãe, sim, era muito infeliz, pois seu filho é o
verdadeiro desgraçado e não ele, que agora estava sob o amparo de amigos
espirituais atenciosos e fraternos.
Ao ouvir a voz inconfundível do filho querido, que julgava ter
desaparecido para sempre, a mulher abraça com ternura o médium, por cuja
boca se podiam ouvir as palavras amáveis e lúcidas do jovem assassinado.
Sob a inspiração da benfeitora do além, Divaldo aconselha a
mulher a considerar o estado de alma da outra mãe, da mãe do assassino, e
pensar na possibilidade do perdão.
Na semana seguinte, quando o médium baiano se preparava para
atender aqueles que o buscavam na singeleza da casa espírita, vê adentrarem
a sala duas senhoras, pálidas e de aspecto sofrido.
Uma ele já conhecia, a outra lhe era estranha.
Quando chegou a vez de atendê-las, a mulher que estivera ali na
semana anterior lhe apresentou a companheira, dizendo ser a mãe do amigo do
seu filho.
O médium entendeu que ela havia seguido os conselhos ali
recebidos e buscava ajudar aquela mãe mais infeliz que ela própria.
Conversaram por longo tempo.
Ao se despedir das duas senhoras, Divaldo percebeu que um raio
de luz penetrava suavemente aquelas almas doloridas.
A luz do perdão se fazia bênção de paz e gerava serena harmonia
naqueles corações dilacerados pela dor da separação dos filhos bem-amados,
embora por motivos diversos.
Na medida em que o tempo ia passando, as duas mães encontraram
motivos para voltar a sorrir, e juntas visitavam o jovem no cárcere.
Fundaram uma casa de recuperação de toxicômanos para ajudar
outros tantos jovens a se libertar das cadeias infelizes das drogas.
***
O perdão é uma das mais belas provas de confiança nas soberanas
leis de Deus.
Quem perdoa sabe que deus é justiça e, por isso mesmo, suas leis
jamais se enganam.
Perdoar é receber com resignação os fatos que não se pode evitar
ou mudar, com a certeza de que a justiça divina não se equivoca e nada
acontece conosco se o criador não permitir.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história narrada por
Divaldo Franco na cidade de Videira-SC, no dia 22/09/03.


Escrito por Daniel às 18h13
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VIVA COMO AS FLORES



Em um antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o
mestre: "Mestre, como faço para não me aborrecer?
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes, muitas são
indiferentes.
Sinto ódio das mentirosas e sofro com as que caluniam."
"Pois viva como as flores," orientou o mestre.
"E como é viver como as flores?" Perguntou o discípulo.
"Repare nas flores," falou o mestre, apontando os lírios que
cresciam no jardim.
"Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas.
Extraem, do adubo malcheiroso, tudo que lhes é útil e saudável... mas não
permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo inquietar-se com as próprias imperfeições, mas não é
sábio permitir que os vícios dos outros o perturbem.
Os defeitos deles são deles e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores."
Numa simples orientação, sem dúvida, uma grande e nobre lição de
bem-viver.
Mas, para viver como as flores, é preciso, ainda, observar
outras características que elas nos oferecem como exemplo.
Importante notar que nem todas as flores têm facilidades, mas
todas têm algo em comum: florescem onde foram plantadas.
Seja em terreno hostil, em meio a pedregulhos ou em jardins
tecnicamente bem cuidados, as flores surgem para perfumar e embelezar a
vida.
Existem as flores-heroínas, que precisam lutar com valentia por
um lugar ao sol. São aquelas que surgem em minúsculas frinchas, abertas em
calçadas ou muros de concreto.
Precisam encontrar, com firmeza e determinação, um espaço para
brotar, crescer e florescer.
Há flores, cujas sementes ficam sob o solo escaldante do deserto
por muitos anos, esperando que um dia as gotas da chuva tornem possível
emergir...
E, então, surgem, por poucos dias, só para espalhar seu perfume
e lançar ao solo novas sementes, que germinarão e florescerão ao seu tempo.
Em campos cobertos de neve, há flores esperando que o sol da
primavera derreta o gelo para despertar de sua letargia e colorir a
paisagem, em exuberância de cores e perfumes.
Ah! Como as flores sabem executar com maestria a missão que o
Criador lhes confia!
Existem, ainda, flores resignadas, que se imolam na tentativa de
tornar menos tristes as cerimônias fúnebres dos seres humanos... enfeitando
coroas sem vida.
Viver como as flores, portanto, é muito mais do que saber
retirar vida, beleza e perfume, do estrume...
É mais do que florescer em desertos áridos e em terrenos
inóspitos...
É mais do que buscar um lugar ao sol, estando numa cova escura
sob o concreto espesso...
É mais do que suportar a poda e responder com mais vida e mais
exuberância...
...Viver como as flores, é entender e executar a missão que cabe
a você, a mais bela e valorosa criatura de Deus, para quem todas as flores
foram criadas...
Pense nisso!
As flores são uma das mais belas e delicadas formas de expressão
do divino artista da natureza.
Parece mesmo que o Criador as projetou e as colocou no mundo
para nos falar da grandeza do seu amor por nós, e também como lições
silenciosas a nos mostrar como florescer e frutificar, apesar de todos os
obstáculos da caminhada...
Pense nisso, e imite as flores!

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria
ignorada.


Escrito por Daniel às 18h53
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