Daniel Barbosa


O QUE É O NATAL


Eu, menino, sentado na calçada, sob um sol escaldante, observava a
movimentação das pessoas em volta, e tentava compreender o que estava
acontecendo.

Que é o Natal?  Perguntava-me, em silêncio.

Eu, menino, ouvira falar que aquele era o dia em que Papai Noel, em seu
trenó puxado por renas, cruzava os céus distribuindo brinquedos a todas as
crianças.

E por que então, eu, que passo a madrugada ao relento nunca vi o trenó
voador? Onde estão os meus presentes? Perguntava-me.

E eu, menino, imaginava que o Natal não deveria ser isso.

Talvez fosse um dia especial, em que as pessoas abraçassem seus familiares e
fossem mais amigas umas das outras.

Ou talvez fosse o dia da fraternidade e do perdão.

Mas então por que eu, sentado no meio-fio, não recebo sequer um sorriso?
Perguntava-me, com tristeza  e por que a polícia trabalha no Natal?

E eu, menino, entendia que não devia ser assim...

Imaginava que talvez o Natal fosse um dia mágico porque as pessoas enchem as
igrejas em busca de Deus.

Mas por que, então, não saem de lá melhores do que entraram?

Debatia-me, na ânsia de compreender essa ocasião diferente.

Via risos, mas eram gargalhadas que escondiam tanta tristeza e ódio, tanta
amargura e sofrimento...

E eu, menino, mergulhado em tão profundas reflexões, vi aproximar-se um
homem...

Era um belo homem...

Não era gordo nem magro, nem alto nem baixo, nem branco, nem preto, nem
pardo, nem amarelo ou vermelho.

Era apenas um homem com olhos cor de ternura e um sorriso em forma de
carinho que, numa voz em tom de afago, saudou-me:

Olá, menino!

Oi!... respondi, meio tímido.

E, com grande admiração, vi-o acomodar-se a meu lado, na calçada, sob o sol
escaldante.

Eu, menino, aceitei-o como amigo, num olhar. E atirei-lhe a pergunta que me
inquietava e entristecia:

Que é o Natal?

Ele, sorrindo ainda mais, respondeu-me, sereno:

Meu aniversário.

Como assim?  Perguntei, percebendo que ele estava sozinho.

Por que você não está em casa? Onde estão os seus familiares?

E ele me disse: Esta é a minha família, apontando para aquelas pessoas que
andavam apressadas.

E eu, menino, não compreendi.

Você também faz parte da minha família... Acrescentou, aumentando a confusão
na minha cabeça de menino.

Não  conheço você! - eu disse.

É porque nunca lhe falaram de mim. Mas eu o conheço. E o amo...

Tremi de emoção com aquelas palavras, na minha fragilidade de menino.

Você deve estar triste, comentei. Porque está sozinho, justo no dia do
próprio aniversário...

Neste momento, estou com você - respondeu-me, com um sorriso.

E conversamos...uma conversa de poucas palavras, muito silêncio, muitos
olhares e um grande sentimento, naquela prece que fazia arder o coração e a
própria alma.

A noite chegou... E as primeiras estrelas surgiram no céu.

E conversamos... Eu, menino, e ele.

E ele me falava, e eu O entendia. E eu O sentia. E eu O amava...

Eu, menino: sou as cordas. Ele: o artista. E  entre nós dois se fez a
melodia!...

E eu, menino, sorri...

Quando a madrugada chegou e, enquanto piscavam as luzes que iluminavam as
casas, Ele se ergueu e eu adivinhei que era a despedida. E eu suspirava, de
alma renovada.

Abracei-O pela cintura, e lhe disse: Feliz aniversário!

Ele ergueu-me no ar, com Seus braços fortes, tão fortes quanto a paz, e
disse-me:

Presenteie-me compartilhando este abraço com a minha família, que também é
sua... Ame-os com respeito. Respeite-os com ternura, com carinho e amizade.
E tenha um feliz Natal!

E porque eu não queria vê-lo ir-se embora, saí correndo em disparada pela
rua. Abandonei-O, levando-O para sempre no mais íntimo do coração...

E saí em busca de braços que aceitassem os meus...

E eu, menino, nunca mais O vi. Mas fiquei com a certeza de que Ele sempre
está comigo, e não apenas nas noites de Natal...

E eu, menino, sorri... pois agora eu sei que Ele é Jesus... E é por causa
Dele que existe o Natal.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em texto de Fábio Azamor, da
cidade de Rio Bonito-RJ.


Escrito por Daniel às 10h53
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RASTROS NA AREIA

O sonho que tive esta noite
Foi um exemplo de amor
Sonhei que na praia deserta
Eu caminhava com Nosso Senhor
Ao longo da praia deserta
Quis o Senhor me mostrar
Cenas por mim esquecidas
De tudo que fiz nesta vida
Ele me fez recordar
Cenas das horas felizes
Que a mesa era farta na hora ceia
Por onde eu havia passado
Ficaram dois pares de rastros na areia
Então o Senhor me Falou:
" Em seus momentos passados
Para guiar os seus passos
Eu caminhava ao seu lado"

Porém minha falta de fé
Tinha que aparecer
Quando passavam as cenas
Das horas mais tristes de dor do meu ser

Então ao Senhor reclamei
Somente meu rastro ficou
Quando eu mais precisava
Quando eu sofri e chorava
O Senhor me abandonou

Naquele instante sagrado
Que Ele abraçou-me dizendo assim:
" Usei a coroa de espinhos
Morri numa cruz e duvidas de mim"

" Filho, esses rastros são meus
Ouça o que vou lhe dizer:
Nas suas horas de angústias
Eu carregava você"


Escrito por Daniel às 09h23
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