Daniel Barbosa


A POESIA DA VIDA


            O poeta adquiriu um pedaço de terra em plena serra. Um lugar
para sonhar, fazer poesia, escrever, inebriar a alma.
            Não pretendeu mexer em nada. Deus, afinal, fizera tudo tão
bonito.
            O regato de água cristalina descendo do alto da serra, por entre
pedras, formando cachoeiras e remansos gelados.
            Samambaias, avencas, brincos de princesa em profusão.
            Campos verdes, bordados de flores minúsculas. Também enormes
araucárias, com sua casca rugosa, onde crescem bromélias.
            Um pedaço do céu cheio de beleza e vida.
            Mas, nesse belo lugar, há um morro de terra ruim. Tão ruim que
até o capim protesta e não vinga.
            O poeta olhou para aquela terra, aparentemente imprestável, e
resolveu dar uma mãozinha para a natureza.
            Pensou que poderia plantar araucárias ali. Uma mata cheia de
pinheiros, com suas copas altivas, braços erguidos ao céu, como a pedir
bênçãos.
            Maravilha! Começou a sonhar.
            Como não entende muito dessas coisas, foi pedir auxílio.
Consultou as pessoas do lugar.
            Ninguém aprovou sua idéia. Imagine! Plantar araucárias. Elas
levam muito tempo para crescer.
            Como o poeta já não é tão jovem, disseram-lhe que, com certeza,
ele nem chegaria a ver os pinheiros crescidos.
            Além do mais, não se pode cortar araucária. Ela é protegida por
lei. Cortar uma árvore dessas é crime.
            E para que plantar árvores se não podem ser cortadas? Afinal,
somente cortadas é que elas valem dinheiro, podem ser vendidas.
            Aconselharam o poeta a plantar eucaliptos. Eles crescem rápido.
Dão lucro a partir do terceiro ano.
            O poeta voltou para sua casa. Ninguém o tinha entendido.
Descobriu que ele e os seus vizinhos eram de mundos diferentes.
            Ele era um ser da floresta, sem pressa, como as sementes
colocadas no solo. Os seus vizinhos pensavam em coisas rápidas, em dinheiro
no banco, em lucros.
            Ele desejava desfrutar o espetáculo colorido e perfumado da
floresta exuberante.
            Ver, cheirar. É tudo que queria.
            Eles só tinham em mente o comércio, os negócios.
            Por isso um eucalipto que pode ser cortado em três anos é muito
mais importante do que uma araucária que não pode ser cortada nem em 50
anos.
            E o poeta ficou a pensar como é a cabeça dos homens que só
pensam no lucro. Perderam o sentido e a beleza da vida.
            Recordou dos que matam beija-flores e sabiás para os salgar e
vender, a fim de serem consumidos como tira-gosto, em meio a risadas e
bebidas.
            São os que olham para os pingüins do ártico e pensam em
transformá-los em ração para cachorro.
            Que olham para uma imensa floresta de sequóias e acham um
terrível desperdício aquela propriedade habitada somente por árvores.
            No seu conceito de lucro, muito melhor seria queimar a floresta
toda e transformá-la em condomínio luxuoso.
            Por tudo isso, o poeta resolveu mesmo plantar araucárias. Se ele
chegará a vê-las crescidas ou não, não importa.
            Importa que ele semeou esperança e vida que poderão alegrar
outros olhos e corações, no futuro.

***

            Onde estiver o seu tesouro, ensinou Jesus, aí estará seu
coração.
            Seu coração está na vida, na beleza ou no lucro?
            Você deseja uma terra pródiga de belezas onde seus filhos possam
viver?
            Ou simplesmente um lugar para usufruir todo o possível, rápida e
velozmente?
            Você decide se plantará araucárias ou eucaliptos na terra do seu
coração...

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4, parte 3 do livro
Um céu numa flor silvestre, de Rubem Alves, ed. Verus.


Escrito por Daniel às 15h04
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VOCÊ VALE MAIS QUE ISTO



            Certa vez uma menina de oito anos estava passeando pelo
shopping, próximo da sua casa, com algumas amigas. Viu um dinheiro sobre o
balcão de uma loja e pegou-o.
            A balconista viu e chamou-a de ladra. Segurou-a pelo braço e a
levou até seus pais.
            A menina estava aos prantos, e os pais ficaram desesperados com
a situação.
            Algumas pessoas mais próximas esperavam que os pais batessem e
punissem a filha, mas os pais desejavam educá-la para a vida e mostrar-lhe o
quanto a amavam.
            Chegando em casa, os pais fizeram algo inusitado. Deram à garota
o dobro do valor que ela havia furtado e lhe disseram que ela era muito mais
importante para eles do que todo o dinheiro do mundo.
            Explicaram que a honestidade e a dignidade não têm preço, pois
nem mesmo toda a riqueza do mundo vale mais que essas virtudes.
            A sabedoria dos pais transformou uma situação crítica em um
momento mágico de educação, de extrema beleza, e a menina jamais esqueceu
aquela lição.
            Os pais valorizaram mais a filha do que o seu erro. E isto fez a
diferença.
            Em vez de punição, educação. Em vez de condenação, perdão. Em
vez de agressividade, diálogo. Em vez de rigor, amor.
            Os pais, embora muitas vezes bem intencionados, perdem inúmeras
oportunidades de educar os filhos com sabedoria e usam um rigor que afasta e
infelicita.
            Valorizam demais os erros e não se dão conta de que o filho pede
orientação e carinho e não punição e condenação.
            São os filhos mais difíceis que testam a nossa capacidade de
amar e educar.
            Muitas vezes os filhos têm atitudes que parecem ter o propósito
de nos tirar do sério, de nos irritar, mas quando penetramos nos seus
motivos, percebemos que a intenção é bem outra.
            O que geralmente acontece é que não analisamos bem a situação
inesperada e somos precipitados nas reações, causando dor, sofrimento, e
abrimos um enorme precipício entre nós e nossos filhos.
            É importante levar em conta que nossos filhos são espíritos em
busca de aperfeiçoamento e que são perfectíveis.
            Muitos são náufragos em busca de um porto seguro, que nossos
braços podem lhes ofertar, em nome do amor.
            Se você deseja, com toda sinceridade, semear no solo fértil do
coração do seu filho, as sementes de felicidade e esperança, penetre no seu
mundo íntimo através do diálogo.
            Estenda a ponte da compreensão, da tolerância, do perdão, da
doçura, do afeto.
            Não existe barreira capaz de se contrapor à força do amor em
ação.
            Pense nisso, e dê os passos necessários para chegar perto, bem
perto mesmo, do seu filho problemático, mas extremamente carente de ternura.

***

            Mais importante do que passar regras e exigir que seus filhos as
cumpram, é estar junto deles, dialogar com seriedade, saber dos seus reais
sentimentos e intenções.
            Somente quem conhece a fundo o seu educando, pode ajudá-lo na
difícil arte de viver, e viver com dignidade.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4, parte 3, do livro
Pais brilhantes, professores fascinantes, de Augusto Cury, ed. Sextante.


Escrito por Daniel às 02h26
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