Daniel Barbosa


SER PACIENTE


            É comum ouvir-se dizer que alguém perdeu a paciência.
            Sendo a paciência uma virtude, parece estranha a idéia de que
possa ser perdida.
            Virtudes são conquistas do espírito, que as incorpora em seu
modo de ser.
            Não se trata de algo exterior, que o homem encontra e vê
desaparecer sucessivas vezes.
            Quem desenvolve uma virtude passa a ser melhor em determinado
aspecto de sua vida imortal.
            É possível perder-se apenas o que se possui, mas não o que se é.
            Se uma característica nobre foi assimilada por alguém, ela não
pode ser perdida.
            A criatura genuinamente honesta jamais extravia a própria
honestidade.
            A pessoa bondosa não é privada repentinamente de sua bondade.
            Assim, quando alguém afirma que perdeu a paciência é porque
nunca chegou a ser verdadeiramente paciente.
            Isso não significa que as virtudes surjam de um momento para o
outro.
            Elas devem ser paulatinamente elaboradas no íntimo do ser.
            No longo processo de aquisição da nobreza interior, trava-se uma
autêntica batalha entre os vícios e as virtudes.
            É comum que certas quedas ocorram, pois se trata de um processo
de transição.
            Mas a verdade é que, enquanto a criatura titubeia entre atos
nobres e mesquinhos, ela ainda está lutando contra si mesma.
            Virtudes não são propriedade de um determinado espírito, pois
compõem a sua própria essência.
            Tanto é assim que habitualmente se fala que alguém é bondoso, e
não que possui bondade.
            Enquanto estamos com dificuldade para tolerar certas pessoas ou
situações, ainda não somos pacientes.
            No máximo, estamos lutando para incorporar essa virtude.
            Afinal, é fácil conviver pacificamente com quem pensa igual a
nós, ou suportar pequenos inconvenientes.
            O teste para nossa fibra moral é suportar com serenidade grandes
contrariedades ou provocações.
            A verdadeira paciência é sempre exteriorização da alma que já
realizou muito amor em si mesma.
            Plena de amor, ela distribui os tesouros de seu afeto aos que a
rodeiam, mediante a exemplificação.
            A alma paciente já consegue considerar todas as criaturas como
irmãs, em quaisquer circunstâncias.
            Se necessário, ela esclarece a ignorância, mas sempre de modo
fraterno.
            Paciência é a tolerância esclarecida que revela a iluminação do
ser que a manifesta.
            Trata-se de uma conquista sublime, somente alcançada a custo de
disciplina e esforço.
            Para ser paciente é preciso domar os próprios impulsos
inferiores.
            Quem pretende ser tolerante deve cessar de ver problemas nos
elementos externos, sejam pessoas ou circunstâncias.
            Precisa compreender que todo o mal que atinge a criatura em
evolução vem dela própria, de seu interior carente de renovação.
            Quem percebe as suas seqüelas morais, sem disfarces ou
desculpas, naturalmente tende a olhar o próximo com tolerância.
            Mas não basta apenas perceber os próprios problemas.
            É necessário corrigi-los, com a adoção de novos padrões de
comportamento.
            A disciplina antecede a espontaneidade.
            Transformar vícios em virtudes pressupõe disciplina e
determinação.
            Assim, para ser paciente é preciso esforço em tolerar as
dificuldades e os defeitos alheios.
            Mas também é indispensável trabalho concentrado para vencer os
próprios vícios.
            Pense nisso.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na questão 254 do livro 'O
Consolador', do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier,
ed. FEB.


Escrito por Daniel às 18h49
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LIBERDADE E OPÇÕES

  

            O mundo moderno é rico de possibilidades.
            A sociedade convive melhor com as diferenças e as mais diversas
opções são possíveis, sem causar grandes choques e antagonismos.
            No pretérito, não era assim.
            Por muito tempo, a transposição entre classes sociais era
difícil, senão impossível.
            Em certas culturas, quem nascia em família de artesãos deveria
sê-lo também.
            O círculo da nobreza era inacessível para os nascidos plebeus.
            Hoje vigora em maior grau uma liberdade não apenas de opções,
mas também de costumes.
            Perante o corpo social, afigura-se possível ao indivíduo
escolher livremente sua profissão, hábitos, moradia e amigos.
            Ele pode escolher constituir família ou permanecer solteiro.
            É possível a alguém casar-se, separar-se, tornar a se casar
inúmeras vezes.
            Esse contexto de liberdade é valioso para os seres humanos.
            Não é possível crescer em entendimento e compreensão sem a
possibilidade de tomar decisões e arcar com as conseqüências.
            Mas é preciso refletir sobre os reflexos das próprias opções.
            Os seres humanos estão em constante interação e os atos de uns
refletem nas vidas dos outros.
            Justamente por isso se afirma que liberdade pressupõe
responsabilidade.
            Para o cristão a questão da liberdade é ainda mais séria.
            Ele necessita compatibilizar as opções que faz com as palavras e
os exemplos do Cristo.
            Caso contrário, a palavra 'cristão' será apenas um rótulo,
destituído de significado.
            Assim, se você se afirma cristão, analise a forma como utiliza
sua liberdade.
            Reflita se suas opções revelam fidelidade às lições de Jesus.
            Como você se identifica com os valores cristãos, isso quer dizer
que sua sensibilidade está desperta para aspectos transcendentes da vida.
            Ou seja, o mundo e seus valores não mais o satisfazem
plenamente.
            Há em você a necessidade de transcender, de amar puramente seus
irmãos, de compreender e respeitar a vida.
            Recorde, pois, que Jesus foi trabalho, amor, renúncia e pureza.
            Suas opções estão de acordo com esse modelo?
            Caso não estejam, pense que você é livre, pleno de
possibilidades.
            A cultura lhe é acessível, carreiras estão a sua disposição,
você pode gastar seu tempo como lhe aprouver.
            Por que não optar livremente pela felicidade duradoura?
            Que lhe importa que no mundo imperem a desonestidade, a luxúria
e a irresponsabilidade?
            Você é responsável exclusivamente por suas opções, pelo que faz
de sua vida.
            Não utilize os equívocos dos outros como desculpas.
            Em determinada passagem de uma de suas epístolas, Paulo de Tarso
afirma que tudo lhe era possível, mas nem tudo lhe era conveniente.
            É exatamente a sua situação.
            No mundo atual, quase tudo é admitido, sem censuras.
            Mas a consciência de quem ama e admira o Cristo não compactua
com comportamentos levianos.
            Não se iluda nem embote sua consciência.
            Viva de forma nobre a sua liberdade.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.


Escrito por Daniel às 08h18
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