Daniel Barbosa


UMA GOTA DE ÁGUA



            Você já parou, alguma vez, para observar uma gota d`água?
            Sim, uma pequena gota d`água se equilibrando na ponta de um
frágil raminho...
            Com graciosidade a gotícula desafia a lei da gravidade, se
balançando nas bordas das folhas ou nas pétalas de uma flor.
            São gotas minúsculas, que enfeitam a natureza nas manhãs
orvalhadas ou permanecem como pequenos diamantes líquidos, depois que a
chuva se vai.
            É por isso que um bom observador dirá que a vida seria diferente
se não existissem gotas de água para orvalhar a relva e amenizar a secura do
solo.
            Madre Tereza de Calcutá foi uma dessas almas sensíveis.
            Um dia, um jornalista que a entrevistava disse-lhe que, embora
admirasse o seu trabalho junto aos pobres e enfermos, considerava que o que
ela fazia, diante da imensa necessidade, era como uma gota d`água no oceano.
            E aquela pequena sábia-mulher, lhe respondeu: "sim, meu filho,
mas sem essa gota d`água o oceano seria menor."
            Sem dúvida uma resposta simples e extremamente profunda.
            Pois sem os pequenos gestos que significam muito, a vida não
seria tão bela...
            Um aperto de mão, em meio à correria do dia-a-dia...
            Um minuto de atenção a alguém que precisa de ouvidos atentos,
para que não caia nas malhas do desespero...
            Uma palavra de esperança a alguém que está à beira do abismo.
            Um sorriso gentil a quem perdeu o sentido da vida.
            Uma pequena gentileza diante de quem está preso nas armadilhas
da ira.
            O silêncio, frente à ignorância disfarçada de ciência...
            A tolerância com quem perdeu o equilíbrio.
            Um olhar de ternura para quem pena na amargura.
            Pode-se dizer que tudo isso são apenas gotas d`água que se
perdem no imenso oceano, mas são essas pequenas gotas que fazem a diferença
para quem as recebe.
            Sem as atitudes, aparentemente insignificantes, que dentro da
nossa pequenez conseguimos realizar, a humanidade seria triste e a vida
perderia o sentido.
            Um abraço afetuoso, nos momentos em que a dor nos visita a
alma...
            Um olhar compassivo, quando nos extraviamos do caminho reto...
            Um incentivo sincero de alguém que deseja nos ver feliz, quando
pensamos que o fracasso seria inevitável...
            Todas essas são atitudes que embelezam a vida.
            E, se um dia alguém lhe disser que esses pequenos gestos são
como gotas d`água no oceano, responda, como madre Tereza de Calcutá, que sem
essa gota o oceano de amor seria menor.
            E tenha certeza disso, pois as coisas grandiosas são compostas
de minúsculas partículas.

Pense nisso!

            Sem a sua quota de honestidade, o oceano da nobreza seria menor.
            Sem as gotas de sua sinceridade, o mar das virtudes seria menor.
            Sem o seu contributo de caridade, o universo do amor fraternal
seria consideravelmente menor.
            Pense nisso!
            E jamais acredite naqueles que desconhecem a importância de um
pequeno tijolo na construção de um edifício.
            Lembre-se da minúscula gota d`água, que delicadamente se
equilibra na ponta do raminho, só para tornar a natureza mais bela e mais
romântica, à espera de alguém que a possa contemplar.
            E, por fim, jamais esqueça que são essas mesmas pequenas e
frágeis gotas d`água que, com insistência e perseverança conseguem esculpir
a mais sólida rocha.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.


Escrito por Daniel às 11h46
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O ZELADOR DA FONTE



            Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado havia um
pacato habitante da floresta que foi contratado pelo conselho municipal para
cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.
            O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as
colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia
contaminar o fluxo da corrente de água fresca.
            Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das
colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.
            Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes
graciosos passaram a nadar pela água cristalina.
            Rodas d`água de várias empresas da região começaram a girar dia
e noite.
            As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos
restaurantes era de uma beleza extraordinária.
            Os anos foram passando. Certo dia, o conselho da cidade se
reuniu, como fazia semestralmente.
            Um dos membros do conselho resolveu inspecionar o orçamento e
colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.
            De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a
respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.
            E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho
guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.
            Seu discurso a todos convenceu. O conselho municipal dispensou o
trabalho do zelador.
            Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores
começaram a perder as folhas.
            Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.
            Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte.
Dois dias depois, a água estava escura.
            Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície
ao longo das margens.
            O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para
outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam.
            Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao
povoado.
            O conselho municipal tornou a se reunir, em sessão
extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.
            Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.
            Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida
começaram a clarear. As rodas d`água voltaram a funcionar.
            Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.

            Assim como o conselho municipal da pequena cidade, somos muitos
de nós que não consideramos determinados servidores.
            Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à
nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas.
            Que os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.
            Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os
portões da empresa.
            Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.
            Mas, sem seu trabalho o nosso não poderia ser realizado ou a
vida seria inviável.
            O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa
específica, mas indispensável.
            Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.
            Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para
sermos felizes!
            Pensemos nisso!


Escrito por Daniel às 17h15
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