Daniel Barbosa


A FORÇA DO AMOR



Eram noivos e se preparavam para o casamento, quando o pai da noiva
descobriu que o rapaz era dado ao jogo.
Decidiu se opor à realização do matrimônio, a pretexto de que o homem que se
dá ao vício do jogo, jamais seria um bom marido.
Contudo, a jovem obstinada decidiu se casar, assim mesmo. E conseguiu,
fazendo valer a sua vontade, vencendo a resistência do pai.
Nos primeiros dias de vida conjugal, o rapaz se portou como um marido ideal.
Entretanto, com o passar dos dias, sentia crescer em si cada vez mais o
desejo de voltar à mesa de jogo.
Certa noite, incapaz de resistir, retornou ao convívio de seus antigos
companheiros.
Em casa, a jovem tomou um bordado e ficou aguardando. Embora ocupada com o
trabalho manual, tinha os olhos presos ao relógio. As horas pareciam passar
cada vez mais lentas.
Já era alta madrugada, quando o marido chegou. Nem disfarçou a sua
irritação, por surpreender a companheira ainda acordada. Logo imaginou que
ela o esperava para censurar a sua conduta.
Quando ele a interrogou sobre o que fazia àquela hora ela, com ternura e
bondade na voz, disse que estava tão envolvida com seu bordado, que nem se
dera conta da hora avançada.
Sem dar maior importância à ocorrência, ela se foi deitar.
No dia seguinte, quando ele retornou ainda mais tarde da casa de jogos, a
encontrou outra vez a esperá-lo.
"Outra vez acordada?", perguntou ele quase colérico.
"Não quis que fosse se deitar, sem que antes fizesse um lanche. Preparei
torradas, chá quentinho. Espero que você goste."
E, sem perguntar ao marido onde estivera e o que fizera até aquela hora, a
esposa o beijou carinhosamente e se recolheu ao leito.
Na terceira noite, ela o esperou com um bolo delicioso, cuja receita lhe
fora ensinada pela vizinha.
Antes mesmo que o marido dissesse qualquer coisa, ela se prendeu ao pescoço
dele, abraçou-o e pediu que provasse da nova delícia.
E assim, todas as madrugadas, a ocorrência se repetiu. O marido começou a se
preocupar.
Na mesa de jogo, tinha o pensamento menos preso às cartas do que à esposa,
que o esperava, pacientemente, como um anjo da paz.
Começou a experimentar uma sensação de vergonha, ao mesmo tempo de
indiferença e quase repulsa por tudo quanto o rodeava.
O que ele tinha em casa era uma mulher que o esperava, toda madrugada, para
o abraçar, dar carinho. E ele, ali, naquele lugar?
Aos poucos, foi se tornando mais forte aquele incômodo. Finalmente, um dia,
de olhar vago e distante, como se tivesse diante de si outro cenário, o
rapaz se levantou de repente da mesa de jogo.
Como se cedesse a um impulso quase automático, retirou-se, para nunca mais
voltar.

Nos dias de hoje, é bem comum os casais optarem por se separar, até por
motivos quase ingênuos.
Poucas criaturas decidem lutar para harmonizar as diferenças, superar os
problemas, em nome do amor, a fim de que a relação matrimonial se
solidifique.
Contudo, quando o amor se expressa, todo o panorama se modifica. É difícil a
alma que resista às expressões do amor.
Porque o amor traz a mensagem da plenificação, do bem estar, da alegria.
Desta forma, é sempre salutar investir no amor, expressando-o através de
gestos, pequenas atenções, gentilezas.
O amor é o sentimento por excelência e tem a capacidade de transformar
situações e pessoas.
Pense nisso. Experimente-o agora.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. A força do amor, do
livro o Primado do Espírito, de Rubens C. Romanelli, ed. Síntese.



Escrito por Daniel às 21h50
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LAZER E ENTRETENIMENTO



Você já observou quantas alternativas de entretenimento são oferecidas nos
dias de hoje?
São tantas as possibilidades que às vezes fica difícil a escolha.
Todavia, se é verdade que a oferta é grande, não é menos verdade que nem
sempre o entretenimento atinge os objetivos a que se propõe.
O entretenimento tem por objetivo divertir, trazer bem-estar, alegria,
descontração.
No entanto, há que se perguntar porque as pessoas vão a esses locais de
diversão e se drogam, se embebedam, se tornam violentas, perdem o juízo, o
bom senso.
É de se perguntar porque as cidades litorâneas onde muitos passam as férias
geralmente se tornam, na "temporada", estressantes, irritantes, cansativas,
sujas, barulhentas.
Será que para se divertir é preciso perder o juízo?
Será válido buscar, em nome do lazer, mecanismos de alienação da realidade,
de fugas variadas, de entorpecimento dos sentidos?
O entretenimento deve trazer satisfação, paz íntima, contentamento. E tudo
isso só é possível com lucidez, com domínio da razão, com discernimento.
Quando se opta pelo entorpecimento dos sentidos é sinal grave de que algo
não está bem e, por mais que se tente fingir diversão, não se consegue essa
satisfação.
E, nesse caso, as conseqüências podem ser ainda mais desastrosas.
O indivíduo sai para se divertir e volta deprimido, insatisfeito, ansioso,
quando não cai nas malhas da violência, sempre à espreita dos descuidados...
É importante refletir sobre essas questões que dizem respeito a todos nós.
É preciso refletir sobre os propósitos que nos movem a buscar lazer,
divertimento, férias...
É muito comum, em cidades litorâneas, no verão, o trânsito intenso e as
buzinas nervosas fazendo parecer que as pessoas estão ali contrariadas,
cumprindo uma penalidade.
As crianças, no interior dos veículos, parecem assustadas, e não devem
entender como podem suas férias ser tão tumultuadas.
Talvez algumas pessoas não se dêem conta de que estão de férias. Que estão
lá para obter satisfação, tranqüilidade, paz, e não para competir no
trânsito, irritando-se e irritando os outros.
Outras desejam levar para esses locais de lazer o seu "barulho particular",
com o qual estão acostumadas.
Falam alto, ouvem música mais alto ainda, como se o mundo fosse feito só
para elas, e todas as demais pessoas devam se submeter aos seus gostos e
desgostos.
Quando isso acontece, o lazer se converte em perturbação generalizada e
causa um efeito totalmente oposto ao esperado.
Por todas essas razões, vale a pena pensar nos propósitos que nos movem a
buscar o entretenimento.
E, mais importante, vale lembrar que vivemos num mundo em que precisamos
respeitar aqueles que dividem o espaço conosco.
Se não for assim, para que serve o entretenimento?

Pense nisso!

Lembre-se que as pessoas que buscam o lazer têm os mesmos direitos que você,
e todos têm o dever de contribuir para o bem geral.
Lembre-se, ainda, que o seu direito termina onde começa o direito do outro.
Respeitar esse direito é o mínimo que se espera de uma sociedade civilizada.
Pense nisso, e tenha uma boa diversão!

Equipe de redação do Momento Espírita, sob inspiração de conferência de J.
Raul Teixeira, no dia 12/12/2004, no Clube Morgenau, Curitiba-PR.


Escrito por Daniel às 08h21
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