Daniel Barbosa


LIBERDADE



A busca da liberdade sempre foi uma constante na história da raça humana.
Ela compõe o conjunto dos elementos que habitualmente se imagina sejam
necessários ao bem-estar das criaturas.
Parece de pouca serventia possuir alguns bens, da espécie que sejam, sem a
liberdade de desfrutá-los.
Para ser livre, muitas vezes o homem trilhou caminhos tortuosos.
A maioria das revoluções foi levada a efeito sob o pretexto de livrar os
povos de tiranos que os subjugavam.
Contudo, tão logo instaurado o novo regime, os revolucionários geralmente
trataram de impedir com violência quaisquer manifestações contrárias as suas
idéias.
Em nome da conquista e preservação da liberdade coletiva, muitas atrocidades
foram cometidas.
No mundo atual, com os valores em constante mutação, ser livre  persiste
como uma meta a ser atingida.
Mas resta saber se o que o ser humano está vivendo realmente possui o condão
de libertá-lo.
Com freqüência, ouve-se que determinado homem ou mulher é 'liberado'.
Mas, curiosamente, isso não tem o sentido de que a pessoa em questão
livrou-se de uma enfermidade, de um vício, ou então pagou uma dívida.
Não se trata, em geral, de alguém alforriado de uma situação penosa, à custa
de esforço, trabalho e talento.
O vocábulo costuma referir-se antes à perda da vergonha e do pudor, à
deserção de compromissos assumidos.
Ser livre, nesse contexto, possui o estranho significado de vivência
desequilibrada da sexualidade, do cultivo de vícios que podem destruir a
saúde física, mental e emocional.
Ocorre que afrontar a sociedade, sem qualquer finalidade superior, não
possui o condão de libertar ninguém.
Chafurdar em vícios e desatinos também está longe de ser conduta
libertadora.
Em um mundo massificado, é compreensível as pessoas desejarem distinguir-se
de algum modo.
Contudo, há maneiras muito mais nobres de conseguir isso do que pela adoção
de comportamentos exóticos e chocantes, mas estéreis.
Por exemplo, a prática das virtudes cristãs, como a caridade, a humildade e
a pureza, é sempre um fator de distinção.
Por mais que seja dúbio o significado da expressão 'liberdade', ela com
certeza não se identifica com a adoção de hábitos que conduzem à doença e à
desarmonia.
Jesus afirmou que o conhecimento da verdade nos libertaria.
De fato, uma compreensão mais aprofundada das leis da vida, ao despir o
homem de suas ilusões, livra-o da mesquinhez, do egoísmo e do orgulho.
Como esses vícios são os que tornam mais penosa a convivência na Terra, sua
ausência implicaria em imediato acréscimo de bem-estar para todos.
Tendo em vista que a árvore se identifica pelos seus frutos, a liberdade sob
esse prisma é algo muito desejável.
Assim, ao buscar sua liberação, reflita sobre o que ela significa.
Não confunda liberdade com libertinagem, nem felicidade com deserção do
dever.
No con            vívio familiar ou social, é impossível ser totalmente
livre.
Os seus direitos terminam onde começam os direitos do seu próximo.
A completa libertação possível é a das paixões, dos instintos inferiores,
que tanto infelicitam a humanidade.
Ao traçar as metas de sua vida, busque antes libertar-se da dor e do
desequilíbrio.
Para tal, um padrão de conduta reto e equilibrado, marcado pelo bom-senso,
sempre será o melhor roteiro.
Pense nisso.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

Escrito por Daniel às 22h48
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O SONHO DE KARINA


Desde pequena Karina só tinha conhecido uma paixão: dançar e ser uma das
principais bailarinas do Ballet Bolshoi.
Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra
atividade.
Os rapazes já haviam se resignado: o coração de Karina tinha lugar somente
para o ballet.
Tudo o mais era sacrificado pelo objetivo de um dia tornar-se bailarina do
Bolshoi.
Um dia, Karina teve sua grande chance.
Conseguiu uma audiência com o diretor Master do Bolshoi, que estava
selecionando aspirantes para a companhia.
Nesse dia, Karina dançou como se fosse seu último dia na terra.
Colocou tudo o que sentia e que aprendera em cada movimento, como se uma
vida inteira pudesse ser contada em um único passo.
Ao final, aproximou-se do renomado diretor e perguntou-lhe: "então, o senhor
acha que posso me tornar uma grande bailarina?"
Na longa viagem de volta à sua aldeia, Karina, em meio às lágrimas, imaginou
que nunca mais aquele "não" deixaria de soar em sua mente.
Meses se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatilha, ou fazer
seu alongamento em frente ao espelho.
Dez anos mais tarde, Karina, já uma estimada professora de ballet, criou
coragem de ir à performance anual do Bolshoi em sua região.
Sentou-se bem à frente e notou que o senhor Davidovitch ainda era o diretor
Master.
Após o concerto, aproximou-se dele e contou-lhe o quanto ela queria ter sido
bailarina do Bolshoi e quanto lhe doera, anos atrás, ter ouvido dele que ela
não seria capaz disso.
"Mas, minha filha... - disse o diretor - eu digo isso a todas as
aspirantes."
Com o coração ainda aos saltos, Karina não pôde conter a revolta e a
surpresa dizendo: "como o senhor poderia cometer uma injustiça dessas? Eu
poderia ter sido uma grande bailarina se não fosse o descaso com que o
senhor me avaliou!"
Havia solidariedade e compreensão na voz do diretor, mas ele não hesitou ao
responder: "perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o
suficiente, se foi capaz de abandonar o seu sonho pela opinião de outra
pessoa."

Quando estabelecemos metas específicas é muito maior a nossa chance de
conquistarmos nossos sonhos.
Dedicação e empenho também são requisitos indispensáveis nessa dura jornada.
No entanto, mais importante do que tudo é acreditarmos efetivamente na
própria capacidade de atingirmos os objetivos propostos.
Muitos serão aqueles que, pelas mais variadas razões, colocarão obstáculos
em nossa caminhada.
Alguns dirão que nosso sonho é uma grande bobagem.
Ou, ainda, que se trata de muito esforço à toa.
Outros falarão que não somos capazes de alcançá-los e que deveríamos optar
por objetivos mais fáceis.
E assim, muitos desistem da luta, por medo, por preguiça, ou porque
acreditaram nas previsões negativas dos outros.
No entanto, nossos sonhos continuarão lá, dentro de nossos corações e diante
de nossos olhares.
Mesmo que deixemos de nos esforçar para ir ao encontro deles, eles
permanecerão fazendo parte de nós, como uma tarefa não cumprida.
Projetos nobres e ideais justos não devem ser abandonados nunca.
Convictos de sua importância perante a vida, esforcemo-nos para alcançá-los,
não importando quantas tentativas sejam necessárias para isso.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro Parábolas Eternas,
organização Legrand, 3ª ed., editora Sóler, pp. 57/59.


Escrito por Daniel às 15h43
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