Daniel Barbosa


O FRIO QUE VEM DE DENTRO



Conta-se que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma
avalanche de neve.
Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro. Cada um deles
trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles
se aqueciam.
Eles sabiam que se o fogo apagasse todos morreriam de frio antes que o dia
clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira
de poderem sobreviver.
O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e
descobriu que um deles tinha a pele escura.
Então, raciocinou consigo mesmo: "aquele negro! Jamais darei minha lenha
para aquecer um negro". E guardou-a protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Estava ali porque esperava receber os
juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um homem da montanha que trazia
sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas.
Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com o seu lucro,
pensou: "eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso", nem pensar.
O terceiro homem era negro. Seus olhos faiscavam de ressentimento. Não havia
qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina.
Seu pensamento era muito prático: "é bem provável que eu precise desta lenha
para me defender.
Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem".
E guardou suas lenhas com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros
os caminhos, os perigos e os segredos da neve.
Este pensou: "esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente
para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava.
Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) Para
pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos os
sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. "esta
lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor
dos gravetos".
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa
da fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente apagou.
No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna
encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de
lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro
disse: "o frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro".

***

Não deixe que a friagem que vem de dentro mate você.
Abra o seu coração e ajude a aquecer aqueles que o rodeiam.
Não permita que as brasas da esperança se apaguem nem que a fogueira do
otimismo vire cinzas.
Contribua com seu graveto de amor e aumente a chama da vida onde quer que
você esteja.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria
ignorada.


Escrito por Daniel às 09h34
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RECOMEÇOS NECESSÁRIOS



A lei dos renascimentos rege a vida universal.
Com alguma atenção poderíamos ler em toda a natureza, como em um livro, o
mistério da morte e da ressurreição.
As estações sucedem-se no seu ritmo imponente.
O inverno é o sono das coisas.
A primavera é o acordar.
O dia alterna com a noite.
Ao descanso segue-se a atividade.
O espírito deixa o corpo físico e adentra as esferas espirituais, para
retornar e continuar com forças novas a tarefa interrompida.
As transformações da planta e do animal não são menos significativas.
A planta morre para renascer, cada vez que a seiva volta. Murcha para
reflorir.
A larva, a crisálida e a borboleta são outros tantos exemplos que
reproduzem, com mais ou menos fidelidade, as fases alternadas da vida
imortal.
Como seria possível que só o homem ficasse fora do alcance desta lei?
Se tudo está ligado por laços numerosos e fortes, como admitir que nossa
vida seja como um ponto atirado, sem ligação, para os turbilhões do tempo e
do espaço?
Nada antes, nada depois!?
Não.
O homem, como todas as coisas, está sujeito à lei eterna.
A natureza não nos dá a morte senão para nos dar a vida.
A sucessão das existências se apresenta para todos nós como uma obra de
capitalização e aperfeiçoamento.
Depois de cada existência terrestre a alma ceifa e recolhe as experiências e
os frutos dela decorridos.
Todos os seus progressos ficam registrados em sua essência.
Assim, o ser, em todas as fases de sua ascensão, encontra-se tal qual a si
mesmo se fez.
Nenhuma aspiração nobre é estéril.
Nenhum sacrifício é vão.
A alma deve conquistar, um por um, todos os elementos, todos os atributos de
sua grandeza.
Para isso precisa de obstáculos que possam lhe oferecer lições, provocando
seus esforços e formando suas experiências.
É indispensável a luta para tornar possível o triunfo e fazer surgir o
herói.
Só se conhecem e se apreciam os bens que se adquirem com os próprios
esforços.
Para apreciar a claridade dos dias é necessário ter atravessado a escuridão
das noites.
A dor é a condição da alegria e o preço da virtude.
Através de sucessivas existências, o ser vai construindo sua
individualidade, escalando os caminhos da felicidade.
E assim, nessas contínuas peregrinações, segue à procura das perfeições
divinas.
Somente quando alcançar as regiões superiores, estará livre da lei dos
renascimentos, porque, então, o corpo físico não será mais para ele uma
necessidade.

Pense nisso!

A doutrina da reencarnação explica a desigualdade das condições, a variedade
das aptidões e dos caracteres.
Dissipa os mistérios perturbadores e as contradições da vida e resolve o
problema do mal.
Aproxima os homens, dizendo que entre eles não há deserdados nem
favorecidos.
Esclarece que cada um é filho de suas próprias obras, senhor do seu próprio
destino.
A justiça deixa de ser transferida para um domínio distante e desconhecido.
E assim, não há como ignorar que a vontade ativa de cada ser gera efeitos,
imediatos ou não, bons ou maus, que recaem sobre o seu responsável, formando
a trama de seu próprio destino.



Escrito por Daniel às 07h42
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