Daniel Barbosa


CONSCIÊNCIA DE CULPA



A consciência de culpa atinge o mundo íntimo da criatura, na qualidade de um
autêntico flagelo.
A partir do momento em que se instala, desequilibra as emoções e pode levar
à loucura.
A consciência pesada evidencia uma certa imaturidade psicológica, pois
denota que a pessoa agiu em descompasso com seus valores ou ideais, ou o fez
sem refletir, em um rompante.
O indivíduo por vezes se permite comportamentos incorretos, que lhe agradam
às sensações, para posteriormente se auto-punir, entregando-se a
arrependimento estéril.
A ciência dos erros passados pune com rudeza o infrator, perante si próprio,
mas não o corrige para o futuro.
O cumprimento de uma penitência, embora constitua evento doloroso, nada
repara e por isso não traz a plenitude psicológica curativa promovida pelas
ações positivas.
O que foi feito não mais pode ser impedido ou evitado.
Disparada uma flecha, ela segue seu rumo.
Se uma ação foi ruim, o importante é reparar os danos que causou.
Todo homem que se considera fraco, não desenvolvendo esforços para
fortalecer-se, torna-se de fato débil de forças.
É um sinal de covardia e infantilidade justificar um erro com
auto-flagelação, sem sanar as conseqüências, tornando a ele na primeira
oportunidade, sob a alegação de fraqueza.
É nobre assumir o próprio equívoco, meditar serenamente sobre ele, arcar de
forma corajosa com seus efeitos e repará-los do modo mais perfeito possível.
O difícil processo de reverter os resultados de um ato indigno tende a ser
eficiente antídoto para novas experiências.
Tome-se o exemplo de uma mulher que voluntariamente faz um aborto.
Sua consciência pesa e ela pode desenvolver neuroses variadas, mantendo a
mente focada no agir equivocado, a essa altura irremediável.
Mas essa mulher também pode, de modo muito mais proveitoso, dedicar as horas
de seu tempo dispensando amor e cuidados a crianças órfãs.
Ela teve a desdita de rejeitar o filho que Deus, em sua infinita sabedoria,
lhe confiou, mas nada a impede de adotar, por filhos do coração, os pequenos
desamparados do mundo.
O tempo aplicado nessa tarefa é infinitamente mais útil do que se for
perdido em lamentações.
Além de desempenhar, de certa forma, a missão materna que lhe estava
destinada, o contato com a infância desvalida pode sensibilizá-la para as
inefáveis bênçãos da maternidade.
Tudo isso tem o condão de funcionar como medida preventiva de novos
desatinos.
Por outro lado, o remorso inativo e estéril, ao desequilibrar a
personalidade abre as portas para os mais diversos equívocos, dos quais nada
de bom resulta.
A partir do momento em que se elege como meta uma vida de paz, com a
consciência tranqüila, há um preço a ser pago: a perseverança no dever.
Dignidade, harmonia, equilíbrio entre consciência e conduta não ocorrem ao
acaso e nem se podem improvisar.
Tais virtudes devem ser conquistadas no dia-a-dia, mediante seu perseverante
exercício.
Mas, em face de dificuldades para agir corretamente, por uma atitude viciosa
encontrar-se muito arraigada, há sempre um derradeiro recurso: a oração.

***

Deus dispõe de infinito manancial de paz, sempre à disposição de suas
criaturas, desde que estas o busquem com sinceridade e fervor.
O homem manifestando a firme intenção de resistir ao mal, a divindade por
certo o fortalecerá no bem, pois foi o próprio Cristo quem afirmou: "pedi e
obtereis".

Equipe de Redação do Momento Espírita com base no capítulo IX do livro
Momentos de Saúde, do Espírito Joanna de Ângelis, mediante a psicografia de
Divaldo Pereira Franco.

Escrito por Daniel às 18h43
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E DEPOIS?


O ser humano é o único dotado de razão, por isso é chamado de racional.

Ser racional é raciocinar com sabedoria, é saber discernir, é pensar, utilizando o bom senso e a lógica antes de qualquer atitude.

Todavia, boa parte de nós não agimos com a sabedoria necessária para evitar problemas e dissabores perfeitamente evitáveis.

Costumeiramente, agimos antes e pensamos depois, tardiamente, quando percebemos que os resultados da nossa ação nos infelicita.

Paulo, o Apóstolo, que tinha a lucidez da razão, adverte com sabedoria: "tudo me é lícito, mas nem tudo me convém".

Quis dizer com isso que tudo nos é permitido, mas que a razão nos deve orientar de que nem tudo nos convém.

Do ponto de vista físico, quando comemos ou bebemos algo que nos faz mal, não pensamos no depois, mas o depois é fatal.

Se nosso organismo é frágil a certos tipos de alimento, devemos pensar nas conseqüências antes de ingerí-los, mesmo que a nossa vontade diga o contrário.

Perguntemo-nos: e depois? Como será depois?

Lembremos da gaseificação, do mal estar e de outros distúrbios que advirão.

Se temos vontade de fazer uso de drogas, sejam elas socialmente aceitas ou não, pensemos antes no depois. Será que suportarei corajosamente as enfermidades decorrentes desses vícios? Ou será um preço muito alto por alguns momentos de satisfação?

Quando sentimos vontade de usar o cartão de crédito, pela facilidade que ele oferece, costumamos pensar no depois? Pensar em como vamos pagar a conta?

Quando recebemos o convite das propagandas para o consumo desenfreado, ponderamos racionalmente sobre a necessidade da aquisição, ou compramos antes para constatar, logo mais, que não necessitamos daquele objeto?

No campo da moral não é diferente.

Quando surgir a vontade de gozar alguns momentos de prazer, pensemos: e depois?

Quais serão as conseqüências desse ato que desejo realizar? Será que as suportarei corajosamente, sem reclamar de Deus nem jogar a responsabilidade sobre os outros?

Certo dia, conversando com um fiscal aposentado, ouvimo-lo falar a respeito do vazio que sentia na intimidade e da consciência marcada pelos atos inconseqüentes que praticara durante a vida.

Buscou, na atividade profissional, tirar proveito de todas as situações. Arranjava tudo com algum "jeitinho" e muita propina, mas nunca havia pensado no depois.

...E o depois chegou. A velhice o alcançou como alcança as pessoas honestas, mas a sua consciência trazia um peso descomunal, e uma sensação desconfortável lhe invadia a alma.

Não conseguia olhar nos olhos dos filhos e netos, sem pensar no quanto havia sido inescrupuloso. Sem pensar no tipo de sociedade que havia construído para legar aos seus afetos.

 Dessa forma, antes de tomar qualquer atitude, questionemos a nós mesmos: e depois?

Pense nisso!

É melhor que resistamos por um momento e tenhamos paz interior, do que gozar um minuto e ter o resto da vida para se arrepender.



Escrito por Daniel às 21h08
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