Daniel Barbosa


CURRÍCULO OCULTO DA VIOLÊNCIA



Após atos violentos de grandes proporções, como os ocorridos em setembro de
2001, nos Estados Unidos, e o massacre ocorrido em setembro de 2004, na
Rússia, o mundo faz uma pausa para lamentar a violência.
As mídias divulgam fotos que comovem até os corações mais endurecidos e
geram revolta e desejo de vingança nas mentes belicosas.
Mas assim que a imprensa encontra outras matérias com que se ocupar, esses
atos caem no esquecimento e só voltam a ser notícia nas retrospectivas de
final de ano.
No entanto, para as pessoas diretamente envolvidas nessas tragédias o mundo
jamais será o mesmo, pelo menos o seu mundo íntimo.
São vidas ceifadas, amores arrebatados, sonhos interrompidos, lembranças
marcadas, desespero, saudades...
E a vida continua...
E a violência sobrevive, silenciosa, sobre a face da terra...
E se fala em paz... Nos gabinetes.
E se fala em combater a violência, fomentando-se guerras.
Até quando conviveremos com essa triste realidade sem tomar uma atitude que
promova a paz?
Já sabemos que a paz do mundo não se implantará por decretos nem surgirá
após a guerra.
A cultura da paz deve ser uma iniciativa lúcida, tanto individual quanto
coletiva.
É preciso criar uma cultura de paz no nosso planeta.
Hoje está vigente, no seio da humanidade, o que poderíamos chamar de
currículo oculto da violência.
Existe uma cultura pró-violência muito sutil e que ganha terreno dia após
dia, de forma velada e letal.
É uma forma de cultivo da violência que muitas pessoas não se dão conta.
Essa cultura está presente no lar, no lazer, nos esportes, nas escolas, nas
músicas, nas piadas, nos meios de comunicação, nas canções infantis, nas
instituições religiosas.
Nas instituições religiosas, sim!
Nas violências que mais estarreceram e estarrecem o mundo, geralmente está
presente o componente religioso.
E isso começa de forma imperceptível, quando um pai de família ou um líder
religioso cria barreiras entre os da sua crença e os outros.
A criança cresce pensando que quem não é da sua crença é pessoa má, que
merece ser rechaçada ou evitada, quando não se diz que é demoníaca.
Isso em nome do Cristo, em nome de Deus, em nome de um ideal, em nome da
religião, seja ela qual for.
O simples fato de se torcer por um time de futebol diferente já é motivo
para se criar conflitos... Até mesmo entre pessoas da mesma família.
Pessoas que se dizem religiosas e atacam outras instituições, dizendo que o
único bem que merece esse título é o praticado dentro da sua fé.
Como se o bem não se bastasse por si só e tivesse que ter uma bandeira
religiosa qualquer.
Briga-se por causa de idéias políticas divergentes... Briga-se pelas mais
mínimas coisas.
Como diz o cancioneiro popular, "chegou a hora da gente construir a paz,
ninguém suporta mais o desamor."*
E para construir a paz é preciso largar as armas...
É preciso usar ferramentas adequadas...
É preciso falar e agir como pacifista...
Usar termos e idéias que enalteçam a paz e não a violência.
É preciso adequar a nossa terminologia, numa ação pró-paz.
Em vez de dizer "lutar pela paz", dizer "construir a paz", em vez de "lutar
contra a violência", "fomentar a paz", em vez de "promover um combate",
"fazer um embate", em vez de "armas de guerra", "ferramentas de paz".
Ensinar nos lares, nas escolas, nas canções, nas mídias, nas pregações
religiosas, que a paz é um desejo comum a todos, não importa a raça, a
crença, a posição social. E acreditar nisso.
Enquanto não agirmos dessa forma, a paz continuará só no discurso, e a
violência ganhará forças, nutrida por esse currículo oculto, sutil e letal,
que vige silencioso no seio da humanidade.
Pense nisso!
Observe o mundo com olhos de paz.
Faça a sua parte, que o mundo terá paz.
Mas, pense nisso agora!

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, inspirado em entrevista de
Raul Teixeira, na cidade de Londrina, em 25/09/2004.
* Nando Cordel, música Paz Pela Paz.


Escrito por Daniel às 09h11
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A FUGA



Num deste dias agitados, em que se tem mil coisas diferentes para fazer,
encontramos Justin, o filho de quatro anos de idade de um jovem casal.
O garoto não parava de fazer bagunça, e depois de ouvir seu pai pedir por
várias vezes para que sossegasse um pouco, acabou ficando de castigo no
canto da sala.
Justin chorou, esperneou, emburrou e finalmente disse: "vou fugir de casa."
A primeira reação da mãe foi de surpresa que, irritada, falou: "ah, vai?"
Quando ela virou-se e o olhou, ele parecia um anjo, tão pequeno, encolhido
ali no canto, com um ar tão triste...
Ela decidiu largar tudo que estava fazendo e parou.
Com o coração partido, ela lembrou-se de uma passagem de sua própria
infância, quando ela também quis fugir de casa porque se sentia rejeitada e
incompreendida.
Ela sabia que ao anunciar "vou fugir da casa", Justin estava dizendo: "por
favor, prestem mais atenção em mim. Eu também sou importante. Por favor,
façam com que eu me sinta desejado e amado incondicionalmente."
"Tudo bem, Justin, você vai poder fugir de casa", falou a mãe baixinho para
ele, enquanto começava a pegar umas roupas em seu armário e colocar numa
sacola.
"Mamãe", ele perguntou, "o que você está fazendo?"
Ela assim respondeu: "se você vai fugir de casa, então mamãe vai com você,
porque não quero ver você sozinho nunca. Gosto muito de você, Justin."
Ela então o abraçou, e ele perguntou, surpreso: "por que você quer ir
comigo?"
Ela olhou-o com carinho e disse: "porque eu gosto muito de você e vou ficar
muito, muito triste se você for embora. E também quero tomar conta de você
para que nada de mal aconteça."
"Papai também pode ir?" - perguntou ele, com uma voz acanhada.
"Não, papai tem que ficar com seus irmãos, e papai tem de trabalhar e tomar
conta da casa quando nós não estivermos aqui."
"O meu hamster pode ir?"
"Não, ele também tem que ficar aqui."
Justin parou um instante para pensar e disse: "mamãe, podemos ficar em
 casa?"
"Claro, Justin, podemos ficar em casa."
"Mamãe." - disse ele suavemente.
"O que é Justin?"
"Eu amo você."
"Eu amo você também, querido, muito, muito, muito. Que tal me ajudar a fazer
pipoca?"
"Oba! Tudo bem." - e lá se foi Justin com sua mãe.
Naquele instante ela se deu conta da maravilhosa dádiva que é ser mãe. De
como somos fundamentais quando levamos a sério a responsabilidade sagrada de
ajudar uma criança a desenvolver o sentido de segurança e o amor-próprio.
Abraçando Justin, ela percebeu que em seus braços tinha o tesouro
inestimável da infância, uma pessoinha que dependia do amor e segurança que
recebesse, do atendimento de suas necessidades, do reconhecimento de suas
características únicas para tornar-se um adulto feliz.
Ela aprendeu que, como mãe, jamais deve "fugir" da oportunidade de mostrar
aos seus filhos que eles são amados, desejados e importantes - o presente
mais precioso que Deus lhe deu.

***
Não te poupes esforços na educação dos filhos.
Os pais assumem desde antes do berço com aqueles que receberão na condição
de filhos, compromissos e deveres que devem ser exercidos, desde que serão,
também, por sua vez, meios de redenção pessoal perante a consciência
individual e a cósmica que rege os fenômenos da vida, nos quais todos
estamos mergulhados.

Equipe de Redação do Momento Espírita, a partir do texto "A fuga" - Lois
Krueger, da obra "Histórias para aquecer o coração, vol 2", e do capítulo
"Deveres dos pais" - Joanna de Ângelis, da obra "S.O.S Família".


Escrito por Daniel às 01h37
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